quinta-feira, 5 de maio de 2011

RIO: França resgata primeiro corpo em destroços do voo Rio-Paris

Uma equipe de resgate conseguiu nesta quinta-feira (5) recuperar o primeiro corpo dos destroços do voo Rio-Paris da Air France que caiu no Atlântico há quase dois anos, anunciou a polícia francesa, segundo a agência de notícias France Presse. O acidente com o avião A330 da Airbus provocou a morte de 228 pessoas.

O comunicado da Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês), afirma que o corpo submerso há dois anos a uma profundidade de 3.900 m ainda está "preso ao assento do avião" e deteriorado. Ele foi levado a bordo do navio Ile de Sein no início da manhã de hoje, informou a DGGN.
- Coletas foram efetuadas pelos investigadores da polícia a bordo e serão encaminhadas na próxima semana, juntamente com as caixas-pretas do avião, a um laboratório de análises a fim de determinar a possibilidade de uma identificação por meio do DNA.

O resgate dos corpos acontece em condições "particularmente complexas e inéditas", pois além do tempo que permanecerem no fundo do mar, eles podem não resistir às mudanças de temperatura da água durante o seu içamento à superfície.

Apesar disso, a fortíssima pressão da água a quase 4 km de profundidade mantém a estrutura corporal coesa na água, segundo a BBC Brasil.

Operação de resgate dos corpos começou nesta quarta (4)
A operação destinada a recuperar os corpos dos passageiros do voo Rio-Paris da Air France, que caiu no oceano Atlântico 1º de junho de 2009 começou nesta quarta-feira (4).
Os corpos de alguns passageiros foram encontrados flutuando no oceano pouco depois do acidente, mas a maioria das vítimas nunca foi localizada.

Eles estavam junto aos destroços do aparelho, que foram localizados no começo de abril, em uma área de 600 m por 200 m. 


As causas do acidente do Airbus A330, que ainda não foram explicadas, podem ser conhecidas após a análise das duas caixas-pretas, resgatadas no domingo (1º) e na segunda-feira (2).
 
Resgate é tema "espinhoso" para família das vítimas

Nesta semana, Robert Soulas, vice-presidente da associação francesa de famílias de vítimas Entraide e Solidariedade AF447, disse que "o problema dos corpos é um pouco espinhoso.

- Há um aspecto traumatizante, não se sabe em que estado se encontram.

Já as famílias brasileiras das vítimas do voo da Air France indicaram, por sua vez, que desejam que todos os corpos das vítimas sejam trazidos à superfície e que as caixas-pretas resgatadas sejam decifradas fora da França.

Para Nelson Faria Marinho, presidente da associação das vítimas brasileiras, "é preciso subir com todos os corpos", seja qual for o seu estado.

Airbus e Air France são investigadas por homicídio culposo 

No plano judiciário, Airbus e Air France começaram a ser recentemente investigados por homicídio culposo.
No que diz respeito à investigação técnica, realizada pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA na sigla em francês), a explicação do acidente pode estar próxima graças à recuperação das duas caixas-pretas, que parecem estar em bom estado e cujos registros fônicos (Cockpit Voice Recorders, CVR) foram colocados sob sigilo judicial.

Os investigadores determinaram até agora que a falha das sondas de velocidade, chamadas de Pitot, foi uma das causas da tragédia.
Mas consideram que este problema (congelamento das sondas a uma grande altitude) não pode explicar por si só o acidente.
No início de abril, os restos da aeronave foram encontrados a 3.900 m de profundidade não muito longe de sua última posição conhecida, antes do início, na semana passada, das operações de busca mais recentes.

Indústria de petróleo faz duplicar população de cidades no norte fluminense, revela Censo 2010

população de Macaé aumentou mais de 400%
O desenvolvimento do Brasil em direção ao interior, com crescimento recorde das cidades com até 500 mil habitantes, segundo o Censo 2010, se intensifica no Estado do Rio de Janeiro. Isso pode ser visto nos municípios do norte fluminense que fazem parte do pólo petrolífero; eles têm assistido ao número de habitantes aumentar de forma acelerada nos últimos dez anos.
Entre os anos 2000 e 2010, Rio das Ostras, Macaé e Casimiro de Abreu, juntas, receberam 176 mil novos moradores, o equivalente à população do município de Angra dos Reis, no sul do Estado. A previsão de que a exploração do petróleo do pré-sal dobre o número de habitantes desses municípios torna ainda maior o desafio de conter os problemas causados por uma explosão demográfica em um período relativamente curto de tempo.
Cidade que mais cresceu em todo o país, Rio das Ostras aparece no topo do ranking nacional e do Estado com um aumento de quase 200% no número de moradores desde o ano 2000, seguida por Casimiro de Abreu (59%) e Macaé (56%), todas infladas pelo desenvolvimento da indústria do petróleo.
Viver em Rio das Ostras é mais barato
Em Macaé, cuja população saltou de 132 mil habitantes em 2000 para 206 mil em 2010, esse processo ocorre de forma contínua há pelo menos 40 anos. Neste período, o número de moradores cresceu mais de 400% e a cidade se tornou um símbolo dos problemas gerados pelo crescimento desordenado, com favelização, falta de saneamento e problemas ambientais, índices crescentes de criminalidade e trânsito caótico.
Embora também enfrente problemas causados pelo aumento acelerado no número de moradores, Rio das Ostras tem se mostrado mais atraente para os profissionais que buscam qualidade de vida, com atrações turísticas e custo de vida bastante atrativo para quem quer se mudar definitivamente.
Foi o que levou o engenheiro e técnico em informática industrial, Paulo Mozer, de 38 anos, a optar por morar na cidade em vez de Macaé, onde trabalha. Casado e pai de uma menina de quatro anos, ele se mudou de Itaperuna, no noroeste fluminense, há cerca de três anos, após receber uma proposta de trabalho em uma das empresas que prestam serviços para a Petrobras.

- Rio das Ostras é melhor para morar e muito mais barato. A cidade é agradável, gosto muito de lá. Vim para ganhar menos e gastar mais, mas sabia que ia melhorar no futuro e foi o que aconteceu: meu salário dobrou em um ano e hoje ganho três vezes mais do que ganhava em Itaperuna.
Jovens preferem Macaé
A população de Rio das Ostras cresceu de forma uniforme, enquanto em Macaé o aumento mais expressivo ocorre na população que tem entre 20 e 30 anos para depois cair entre os mais velhos, como explica o presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eduardo Pereira Nunes.

- Em Rio das Ostras o número de habitantes aumentou em todas as faixas etárias, o que mostra um crescimento populacional bem mais consolidado.


Recém-formado em engenharia metalúrgica e de materiais pela Uenf (Universidade Estadual do Norte Fluminense), Ricardo Moura, de 24 anos, saiu de Campos para Macaé em fevereiro do ano passado atraído por uma oportunidade de trabalho na Petrobras. Entre os colegas de turma, “80% está empregado na indústria petrolífera e a maioria em Macaé”.


- Acho que vou ficar aqui por muito tempo porque quero crescer profissionalmente. Mas não quero morar aqui pra sempre.


Segunda maior cidade arrecadadora de royalties do petróleo no país, Macaé tem pelo menos 80 mil habitantes vivendo em um cinturão de favelas e mais da metade de suas casas não têm coleta de esgoto.


Além disso, a cidade apresenta índices de criminalidade bem mais altos em relação à vizinha Rio das Ostras. Em fevereiro, o número de roubos e de ocorrências policiais na delegacia de Macaé, por exemplo, foi mais do que o dobro do observado em Rio das Ostras, segundo dados do ISP (Instituto de Segurança Pública). 
ibge
Os gráficos do IBGE com a idade dos moradores das duas cidades em 2000 (linha azul) e 2010 (linha vermelha) mostram que em Macaé o número de pessoas entre 20 e 30 anos é bem maior do que nas demais faixas etárias, enquanto em Rio das Ostras esse crescimento é mais proporcional entre diferentes faixas de idade
Prefeitos querem investimentos

Os engarrafamentos diários causados por uma enorme quantidade de trabalhadores que chegam a Macaé são a mostra mais clara do crescimento desordenado que o município ainda tenta superar, como admite o prefeito Riverton Mussi (PMDB).

- A cidade tem feito seu papel, mas é evidente que precisamos de mais investimentos, principalmente do governo estadual. Temos um problema sério na RJ-106 (rodovia Amaral Peixoto). Hoje, para percorrer uma distância de 30 km é preciso uma hora e 20 minutos.


Além dos problemas viários, Mussi aponta para a necessidade de investimentos também em saúde. Macaé tem dois hospitais públicos que costumam atender também à demanda de municípios vizinhos, inclusive de Rio das Ostras.
Segundo o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Baltazar (PMDB), o município investe R$ 90 milhões do seu orçamento em Saúde, enquanto a soma dos repasses dos governos estadual e federal não passa de R$ 6 milhões.

- O crescimento surpreende e é difícil vencer esse fenômeno mantendo a qualidade na saúde e em educação. Ainda assim, Rio das Ostras está muito melhor que qualquer outra cidade do Estado.
Apesar do desenvolvimento econômico da região e do número crescente de habitantes, nenhuma das duas cidades conta com hospitais estaduais ou federais para atender casos mais complexos e pacientes crônicos.