A cada dia 10 de todo mês, policiais civis de São Gonçalo e Niterói, ambas cidades da região metropolitana do Rio de Janeiro, recebiam “salários” de bicheiros, segundo consta em denúncia do MP (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro). O valor da propina não foi revelado. Até as 19h50 desta quarta-feira (1º), seis policiais civis, entre eles um delegado, um agente penitenciário foram presos, um informante e um advogado acusados de formação de quadrilha armada, lavagem de dinheiro, contravenção e corrupção ativa e passiva.
O grupo criminoso tinha envolvimento com o jogo do bicho no Grande Rio. Segundo investigações do MP, o chefe do setor de homicídios da Delegacia de São Gonçalo (72ªDP) era o encarregado de distribuir a propina para que os agentes fossem omissos à realização dos jogos e para ajudarem a impedir que investigações relativas à contravenção fossem adiante. A regularidade dos pagamentos ilícitos caracteriza os policiais como integrantes de uma máfia, segundo o MP.
Batizada de Operação Alçapão - armadilhas para pegar animais -, uma referência ao envolvimento dos suspeitos com o jogo do bicho, a ação foi deflagrada às 5h desta quarta-feira, com o objetivo de cumprir dez mandados de prisão e 29 de busca e apreensão. Os policiais encontraram uma mala escondida na casa de um inspetor com R$ 210 mil. Na casa do ex-presidente da Viradouro, Marcos Lyra, a polícia encontrou uma máquina caça-níquel. Ele não foi preso, pois no momento da ação não estava no local.
O grupo de oito policiais civis, um agente penitenciário e um advogado é acusado de formar uma organização criminosa armada, pois, além de não cumprir suas funções, atendia a interesses de bicheiros. O grupo também é acusado de colaborar com o funcionamento de esquema ilegal por meio de lavagem de dinheiro, corrupção ativa, e contravenção. A denúncia é dos promotores Claudio Varella, Claucio Cardoso da Conceição, Antonio Carlos Fonte Pessanha, da Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), e Claudio Calo Sousa, titular da Promotoria de Investigação Penal.
Escutas - diálogos interceptados mediante autorização judicial - mostram que os integrantes da quadrilha se comunicavam de forma codificada sobre os pagamentos e recebimentos de quantias e vantagens indevidas. Para camuflar as conversas, eles usavam as palavras documentos, lanches, pagamento de cerveja e gasolina, segundo exemplifica a denúncia do MP.
A promotoria diz que os policiais civis envolvidos nos esquemas ocupam posições de chefia ou de influência em suas respectivas delegacias. Para os promotores, por esse motivo, os criminosos escolheram pessoas que podiam bloquear ou desestimular eventual ação dos demais agentes designados nas unidades policiais.
Um dos policiais acusados foi reconhecido como proprietário de máquinas caça-níqueis instaladas em São Gonçalo, sendo que algumas delas funcionavam até mesmo na rua da sede da delegacia. Ele também teria sido segurança do Capitão Guimarães, conhecido como “banqueiro do jogo do bicho” de Niterói.

