sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PF suspeita que camelôs pagavam "caixinha" a polícia no Rio

A Operação Guilhotina da Polícia Federal aponta suspeita de que a antiga cúpula da Polícia Civil do Rio se envolveu com cobrança de "caixinha" de camelôs no centro da cidade.

A PF relata que, durante uma briga pelo controle do camelódromo, em maio de 2007, o então presidente da associação de camelôs, Alexandre Farias Pereira, foi assassinado.
Poucos dias após o crime, segundo a PF, os novos controladores do comércio contrataram, como chefe de segurança, um ex-policial ligado ao ex-chefe da Polícia Civil Allan Turnowski.

Segundo a investigação, a propina era paga a policiais civis e a integrantes da Seop (Secretaria Municipal de Ordem Pública), o que envolve também o delegado Carlos de Oliveira. Preso na Operação Guilhotina, ele foi subsecretário da Seop em 2009.

A presidente da associação dos camelôs, Rosalice Rodrigues Oliveira, negou que o esquema exista.

O delegado Carlos de Oliveira nega qualquer envolvimento com crimes relatados pela PF. Turnowski também negou ter participado de qualquer esquema de propina.


INDICIAMENTO

Turnowski, foi indiciado pela Polícia Federal na noite de ontem (17) sob suspeita de violação de sigilo funcional. Ele nega.

De acordo com o artigo 325 do Código Penal, o crime consiste em "revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação".

A PF acusa Turnowski de vazar informações sobre operações policiais em andamento. Turnowski prestou depoimento por três horas ontem. Na saída, ele negou as acusações.

"Sou inocente, não recebi propina nem vazei informação. Não sabia da operação [Guilhotina]", afirmou o ex-chefe.


CRISE

A saída de Turnowski da chefia da Polícia Civil foi definida na terça-feira (15) em reunião com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, após quatro dias de crise na instituição. Segundo nota emitida pela secretaria, os dois concluíram que a saída de Turnowski era a mais adequada para 'preservar o bom funcionamento das instituições'.

A posição de Turnowski à frente da Polícia Civil ficou desgastada após a operação Guilhotina, desencadeada pela PF (Polícia Federal), e que prendeu dezenas de policiais ligados a traficantes e milícias. O principal preso na operação, o delegado Carlos Oliveira, foi, até agosto do ano passado, subchefe de Polícia Civil. Há anos, é apontado como braço-direito de Turnowski.

Na segunda-feira (14), Turnowski decidiu fechar a Draco (Delegacia de Combate ao Crime Organizado), alegando ter recebido carta anônima com denúncias de corrupção, e que investigaria a delegacia.

A Draco é chefiada pelo delegado Cláudio Ferraz, ligado a Beltrame e desafeto de Turnowski. Ferraz admitiu que contribuiu com a PF durante a Operação Guilhotina.

Em nota, Turnowski agradeceu ao governador Sérgio Cabral (PMDB) e a Beltrame pelo tempo em que comandou a Polícia Civil. "Tenho certeza que esta é a melhor decisão para o momento", afirmou ele.

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