terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tire suas dúvidas sobre o AVC, mal que afetou o técnico Ricardo Gomes

(Foto: Arquivo)
Após o técnico do Vasco, Ricardo Gomes, 46 anos, ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral no domingo, muitas dúvidas surgiram sobre a doença, que de janeiro a junho deste ano atingiu cerca de 84 mil brasileiros, segundo dados do Sistema Único de Saúde. Esta é uma das maiores causas de internação e morte em todo o País.

O AVC é consequência da alteração do fluxo de sangue no cérebro, causando a morte de células nervosas da região atingida. Basicamente, há dois tipos: o isquêmico (quando há obstrução de alguma artéria do cérebro) e o hemorrágico (quando há o rompimento de uma artéria).


"Os dois são perigosos. Habitualmente, o hemorrágico é encarado com maior gravidade, porque muitas vezes há a necessidade de uma intervenção cirúrgica para a drenagem do hematoma. Porém, o isquêmico também pode ser muito preocupante em decorrência da extensão do dano cerebral", afirmou o neurocirurgião Santino Lacanna.


Fatores de risco -
A principal causa do AVC é a hipertensão arterial. Entretanto, outros fatores de risco são tabagismo, diabetes, colesterol alto, obesidade, maus hábitos alimentares e sedentarismo.

No caso de Ricardo Gomes, além de seu histórico médico, a tensão também pode ter colaborado para o rompimento da artéria. "O stress aumenta a adrenalina, que faz crescer a frequência cardíaca, que por sua vez aumenta a pressão arterial", explica José Luis Aziz, cardiologista e professor da Faculdade de Medicina do ABC.


O técnico se encaixa no perfil de pessoas mais propensas a este tipo de problema: sexo masculino a partir de 45 anos. A cada década a probabilidade de ter AVC aumenta. Quando a mulher entra na menopausa, as chances de sofrer um Acidente Vascular Cerebral se igualam.


Segundo Aziz, é possível identificar claramente algumas pistas que indicam que a pessoa irá sofrer um AVC. Formigamentos, perda de força de algumas regiões, alteração da fala, paralisia, perda de equilíbrio e dificuldade de andar são algumas delas. Visão turva ou duplicada também pode ser um sinal.


Ao se deparar com algumas dessas características, é importante acionar um serviço médico o quanto antes. Além disso, a pessoa deve ser colocada em repouso, em um local calmo, para tentar abaixar a pressão arterial. "Há o que chamamos de Acidente Isquêmico Transitório, que é quando todos os sintomas desaparecem em até 24 horas. Mas é aí que é necessário redobrar a atenção e procurar um médico, para que seja feito um diagnóstico preciso. Este pode ser um sinal de que os sintomas podem se repetir de forma ainda mais grave", alerta o cardiologista.


Sequelas - Quem passa por um AVC pode ter de conviver com sequelas - temporárias ou permanentes -, que dependem tanto do local atingido como do tamanho da lesão.

No geral, pode ocorrer diminuição ou perda de sensibilidade em algum local do corpo, principalmente nos membros, dificuldade para falar ou até mesmo a perda da capacidade de articular as palavras e distúrbios cognitivos ou intelectuais, como perda da memória e dificuldade para lidar com números.

Prevenção - Ambos os especialistas consultados pelo Diário são unânimes em afirmar que a melhor maneira de se prevenir é por meio de um rígido controle dos fatores de risco. O neurocirurgião Santino Lacanna dá outras dicas: "Além de pesquisar doenças que possamos trazer geneticamente de nossas famílias, bons hábitos alimentares também são essenciais, evitando-se o excesso de sal, gorduras, assim como a prática de esportes".

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